🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 35 of 36

Capítulo 35: O último doente

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Capítulo 35: O último doente

Bacamarte anunciou o caso à Câmara e à vila. O único homem perfeitamente equilibrado era ele mesmo. O experimento pedia a internação do cientista. Se a doutrina for justa, ninguém fica de fora. Quando ele entrar, a casa terá seu último doente.

Dona Evarista pediu, chorou e segurou a mão dele. —Não vá —disse ela—. A ciência já tem bastante. Os amigos protestaram com vozes altas e inúteis. Padre Lopes falou de Deus; Crispim falou de medo. Galvão pediu moderação; a moderação era o problema. A vila se reuniu nos portões da Casa Verde.

Bacamarte entrou sozinho, com passos calmos de sempre. O portão se fechou com um som limpo e final. Quem for ciência pura não pede testemunhas. Dentro, ele estudava a si mesmo noite após noite. Buscava a falha como se buscasse a salvação. Se encontrasse um defeito, a doutrina mudaria de novo. Se não encontrasse, a prova ficaria de pé.

Passaram dezessete meses de estudo e silêncio. A vila esperava notícias; as janelas verdes não falavam. Dona Evarista levava comida e voltava com os olhos molhados. Ele agradecia com doçura e pedia mais solidão. Uma tarde, o coração parou no meio de uma nota. Bacamarte morreu na Casa Verde, ainda em busca de si. Morreu à procura da falha, ou da prova.

A pergunta ficou de pé no corredor vazio. Enquanto houver essa pergunta, a casa não dorme. Itaguaí enterrou o maior médico com lágrimas limpas. Ninguém soube dizer se ele era louco ou santo. A ciência tinha pedido o homem inteiro, e o homem pagou. O portão ficou fechado; a doutrina, sem dono. Assim terminou o último doente de Itaguaí.