🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 36 of 36

Capítulo 36: Itaguaí

The Alienist — tap any word for its meaning, or tap a sentence to see it in English.

Capítulo 36: Itaguaí

Itaguaí é uma vila pequena. Em Itaguaí tem casas brancas e ruas calmas. Há também uma casa com janelas verdes. As janelas ficam fechadas há muito tempo.

A vila conta a história aos filhos e aos netos. Conta do doutor que amava a ciência mais que a paz. Conta da Casa Verde, cheia e depois vazia. Conta dos perfeitos, dos loucos e da doutrina invertida. As crianças escutam com olhos grandes e medo leve.

Alguns sussurram o que padre Lopes nunca disse na igreja. Dizem que o único louco de Itaguaí era o homem da ciência. Outros dizem que ele era o único são da vila. Ninguém prova as duas falas; as duas ficam de pé. Se a ciência for boa, a casa ensina; se for má, avisa. Quando a noite cair, as paredes verdes parecem mais altas. Enquanto houver memória, a pergunta não fecha a porta.

Crispim Soares envelheceu bajulando com menos força. Porfírio corta cabelo e conta a revolução que não mudou nada. Costa ainda empresta; as pessoas ainda sorriem sem entender. Dona Evarista guarda os vestidos e a saudade quieta. Padre Lopes reza e, às vezes, pensa no hebraico mentido. A Câmara aprova pouco e lembra demais.

Itaguaí é uma vila pequena, aliás, e isso basta. As casas brancas dormem; as ruas calmas respiram. Só a Casa Verde mantém as janelas fechadas. Dentro dela ficou uma pergunta sem dono e sem fim. Era o homem da ciência louco, ou era a vila? A Casa Verde não responde. Guarda as janelas fechadas e a pergunta aberta. E Itaguaí, quieta, continua a viver ao redor.