🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 31 of 36
Capítulo 31: Vícios de teatro
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Capítulo 31: Vícios de teatro
A vila aprendeu a se salvar com defeitos. Quem for perfeito ainda corre risco. Se alguém mentir em voz alta, a Casa Verde passa. Quando o doutor olhar a rua, precisa ver vícios. Enquanto houver teatro na praça, a liberdade vive.
Nas ruas, os homens gritavam mentiras de propósito. Inventavam dívidas, roubos pequenos e orgulho falso. Uma mulher contava histórias que nunca aconteceram. Um homem se gabava de vícios que não tinha.
Padre Lopes falava de hebraico com voz solene. Ele não lia hebraico; lia só o orgulho dele. Se ele disser que entende a língua, o defeito salva. Bacamarte ouviu e tirou o nome da lista. A vaidade pequena era o remédio perfeito.
Dona Evarista falava de seda o dia inteiro. A paixão pelos vestidos era sincera e barulhenta. Se ela for honesta demais em outra coisa, o risco volta. Porém a seda a salvou sem esforço.
Crispim bajulava Bacamarte, o padeiro e o vento. —O senhor é sábio demais —dizia ele a todo mundo—. A bajulação era feia, útil e sem fim. Ele ficaria livre enquanto falasse sem vergonha.
Bacamarte anotava com calma o que via. Se a vila estivesse limpa de defeitos, a casa encheria. Porém Itaguaí agora preferia o vício ao equilíbrio. Aliás, o vício de teatro era o único teatro bom. O narrador não riu; a vila riu sozinha. Isso, diga-se, era ainda mais engraçado. A comédia das ruas guardava a porta da Casa Verde.
Quem for sábio demais esconde a sabedoria na rua. Quando Bacamarte passar, Itaguaí vai atuar de novo. A ciência caçava a perfeição; a vila caçava a liberdade.