🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 30 of 36
Capítulo 30: A caça aos perfeitos
The Alienist — tap any word for its meaning, or tap a sentence to see it in English.
Capítulo 30: A caça aos perfeitos
A festa terminou, e a caça aos perfeitos começou.
Quem for perfeito vai para a Casa Verde. Se alguém disser sempre a verdade, o doutor anota o nome. Quando sair a nova lista, Itaguaí vai tremer de novo. Enquanto houver perfeição na vila, a caça continua.
O primeiro da lista foi o vereador Galvão. Galvão tinha moderação perfeita em cada palavra. Ele nunca gritava, nunca mentia e nunca se exaltava. —O senhor é um modelo —disse Bacamarte, sem ironia na voz—. Galvão entrou na Casa Verde com passos calmos.
A segunda foi uma senhora de quarenta anos de verdade. Ela nunca mentiu em quarenta anos de vida quieta. Se ela disser um não quando o sim for mais fácil, o nome fica. Bacamarte anotou o nome dela com a mesma mão firme. Ela entrou sem chorar; a vila chorou por ela.
O terror voltou, invertido e limpo. Antes, o medo era da loucura; agora era da perfeição. Quem for honesto demais sente o frio das paredes verdes. Se alguém estiver sem defeito, a Casa Verde tem cama.
Padre Lopes ensaiou o defeito pequeno com mais força. Crispim bajulava todo mundo e chegava sempre tarde. Dona Evarista falava de vestidos com voz alta e feliz. Eles não queriam ser perfeitos; queriam ser livres.
Bacamarte andava com a lista como quem caça no escuro. A ciência seria injusta se poupasse o equilíbrio. Quando o sol cair, novos nomes vão entrar na Casa Verde. Itaguaí escondia as virtudes e mostrava os defeitos.
O terror invertido andava nas ruas com passos leves. Bacamarte fechou o livro e apagou a vela. A caça aos perfeitos só começava agora.