🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 29 of 36
Capítulo 29: As portas abertas
The Alienist — tap any word for its meaning, or tap a sentence to see it in English.
Capítulo 29: As portas abertas
No dia da liberação, as famílias esperavam nos portões. Havia lágrimas, abraços e vozes altas na Rua Nova. As portas da Casa Verde se abriram com um som limpo. Os internados saíram um por um, com os olhos no sol.
Mães choravam; pais abraçavam filhos sem falar. Porfírio voltou ao espelho e à navalha no mesmo dia. —Quem é o próximo? —perguntou ele, quase alegre—. Costa emprestava dinheiro de novo na sexta-feira. Ele sorria como se a Casa Verde fosse só um sonho.
Itaguaí celebrava por uma semana inteira. Havia festa nas ruas e luz nas janelas. As pessoas diziam que a ciência, afinal, era boa. Só Bacamarte não sorria.
Ele escrevia uma lista nova no livro dos nomes. A vila celebrava a saída; ele preparava a entrada. Se a festa continuasse, ninguém notaria a lista. Se alguém lesse o papel dele, a alegria cairia cedo. A ciência poderia ser dura e ainda assim ser ciência.
Bacamarte gostaria de um Itaguaí perfeito e quieto. Porém a perfeição, pensou ele, ainda andava livre. Padre Lopes passou na Rua Nova com o defeito pequeno. Crispim chegou tarde de propósito e pediu perdão alto. Eles temiam a nova regra mais do que a antiga.
Dona Evarista perguntou ao marido se a casa ficaria vazia. —Vazia de um lado. Cheia do outro —disse ele—. Ela não gostaria de ouvir isso, mas ouviu.
A semana de festa ia terminar, e a lista crescia. Itaguaí dançava; Bacamarte escrevia nomes novos. As portas abertas eram só o primeiro passo da doutrina.