🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 25 of 36
Capítulo 25: O espelho da vila
The Alienist — tap any word for its meaning, or tap a sentence to see it in English.
Capítulo 25: O espelho da vila
No dia seguinte, Bacamarte saiu cedo para as ruas. Ele queria estudar o quinto livre de Itaguaí. Nas ruas, as pessoas falavam alto e faziam negócios. Um homem falava de peixes que não tinha em casa. As pessoas escutavam e compravam sem medo.
Uma mulher vaidosa olhava a própria sombra e falava de si. Ela andava e se olhava no espelho de cada janela. O quinto livre trabalhava, mentia e se vendia bem. Bacamarte escreveu cada gesto no livro pequeno.
É possível que o quinto livre esteja doente. Talvez a loucura seja a vida fora da Casa Verde. À tarde, o doutor voltou aos corredores longos. Ele reexaminou os internados um por um.
Costa sorria com a mesma calma de sempre. Homens honestos falavam pouco e com clareza. Mulheres piedosas rezavam sem barulho e sem orgulho. Os internados eram calmos, honestos e claros.
Fora, o quinto livre mentia e se olhava no espelho. Dentro, a razão dormia em camas estreitas. Bacamarte fechou o livro com a mão firme. Os números eram monstruosos e limpos.
Números são números, pensou o alienista. Ele queria que a teoria se calasse um instante. A teoria, no entanto, não se calou. Para que a verdade apareça, ele leu o número de novo.
Quatro quintos de razão e um quinto de rua. O espelho da vila mostrava o inverso da teoria. Bacamarte olhou a rua pela janela verde. Itaguaí fazia negócios, e a ciência perdia o sono.
O doutor apagou a vela e ficou com os números. O espelho não mentia; a teoria ainda mentia.