🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 24 of 36
Capítulo 24: A insônia
The Alienist — tap any word for its meaning, or tap a sentence to see it in English.
Capítulo 24: A insônia
Nas noites seguintes, Bacamarte quase não dormiu. Ele andava pelos corredores longos da Casa Verde. A vela tremia na mão dele, pequena e teimosa. As paredes verdes escutavam os passos do doutor.
É possível que a teoria esteja errada. A frase entrou na cabeça dele sem barulho. Talvez a razão seja outra, pensou o alienista. Ele parou diante de uma porta e escutou.
Do outro lado, um homem dormia com a respiração calma. Se quase todos estão aqui, o que é normal? É possível que o normal seja o raro. Talvez a doença seja a regra desta vila.
Bacamarte sentou em uma cadeira no corredor. Ele queria que a ciência falasse com clareza. A ciência, no entanto, ficou em silêncio. Só o número de quatro quintos falava alto.
Dona Evarista acordou e foi até o marido. —Venha dormir, Simão. —pediu ela, com medo—. —Ainda não. Preciso ver o que a teoria diz. Ela voltou para a cama, e ele ficou no corredor.
Para que a verdade apareça, ele ia estudar de novo. É possível que o erro esteja no começo de tudo. Talvez ele tenha internado a razão, e não a loucura. A ideia era feia, limpa e difícil de afastar.
Bacamarte abriu o livro dos nomes mais uma vez. Os nomes pareciam pacientes e juízes ao mesmo tempo. Ele examinava a obra da vida dele como um doente. O alienista se tornou o objeto do próprio estudo.
Fora, o galo da vila cantou cedo demais. Bacamarte apagou a vela e ficou no escuro. A insônia era só o começo da dúvida. Itaguaí ia acordar, e a teoria já não dormia.