🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 23 of 36

Capítulo 23: Quatro quintos

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Capítulo 23: Quatro quintos

A contagem terminou em uma noite sem vento. Bacamarte fechou o livro e olhou o número final. Quatro quintos de Itaguaí viviam na Casa Verde. Só um quinto ainda andava livre nas ruas.

O doutor sentiu um orgulho limpo e científico. Ele escreveu uma carta magnífica para a Câmara. A carta era orgulhosa, estatística e calma. Ela falava de quatro quintos e de um quinto livre.

Os vereadores leram a carta no dia seguinte. Alguns sorriram de medo, e outros sorriram de orgulho. Ninguém contestou o número do doutor. —A ciência de Itaguaí é grande —disse um vereador—.

A Câmara mandou uma resposta curta e feliz. Bacamarte leu a resposta sem sorrir. Depois, sozinho, ele abriu o livro de novo. Era meia-noite, e a Casa Verde dormia.

Ele leu o número outra vez, com mais calma. Quatro quintos. O número ficou na mesa, quieto como uma pessoa. Bacamarte olhou o número, e o número olhou de volta.

Se quase todos estavam doentes, o que era a saúde? A pergunta entrou na sala sem pedir licença. O doutor apagou a vela e acendeu outra. Ele andou pelos corredores longos da Casa Verde. Atrás das portas, quatro quintos de Itaguaí respiravam.

Fora das paredes, um quinto pequeno dormia em casa. Bacamarte voltou à mesa e tocou o papel da carta. A carta ainda era magnífica. O número, no entanto, agora pesava mais.

Ele sentou e ficou com os olhos no número. Quatro quintos olhavam o doutor de volta. Itaguaí dormia, e a ciência ficava acordada.