🇧🇷 Brazilian Portuguese · A1–B1 · Chapter 22 of 36

Capítulo 22: O livro dos nomes

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Capítulo 22: O livro dos nomes

Os meses passaram em Itaguaí sem grande barulho. Há tempo o doutor trabalhava no mesmo livro grande. Era o livro dos nomes da Casa Verde. Cada dia, o livro ficava mais grosso.

Há nomes de pessoas piedosas em muitas páginas. Há nomes de homens honestos e de poetas da vila. Há também nomes de pessoas pontuais e calmas. Bacamarte escrevia cada nome com a mesma mão firme.

Padre Lopes leu o livro um dia, em silêncio. Ele viu virtudes que também eram as dele. O padre começou a ter medo das próprias virtudes. Por isso, ele cultivou um pequeno defeito em público.

Na missa, ele errou um nome de propósito. As pessoas olharam, e o padre ficou quase alegre. Um defeito pequeno podia salvar um homem em Itaguaí. Crispim Soares inventou um atraso de cada semana.

Ele chegava tarde e pedia perdão com voz alta. Bacamarte notou o atraso e escreveu no livro. Mesmo assim, o livro crescia todas as noites. Há famílias inteiras nas páginas da Casa Verde.

Há ruas de Itaguaí quase sem gente de fora. Dona Evarista perguntou ao marido sobre o livro. —É o mapa da razão —disse Bacamarte—. Ela não entendeu, mas ficou quieta.

Faz meses que o doutor conta e reconta os nomes. À meia-noite, ele abria o livro sozinho. A vela era pequena, e a sombra era longa. Bacamarte passava o dedo pelos nomes, um por um.

Itaguaí dormia, e o livro dos nomes crescia. De madrugada, o doutor ainda contava. Há um número que ele quer ver de perto. À noite, o doutor conta, e a vila não sabe.